Este texto oferece uma reflexão profunda e sincera sobre as razões de se permanecer na *fé católica. Não se trata de uma crítica ou de uma declaração de guerra contra outras denominações. Pelo contrário, em muitos aspectos, especialmente nas lutas por valores como a vida, os evangélicos protestantes e até mesmo pessoas de outras crenças (como espíritas e muçulmanos que se opõem ao aborto) são aliados valiosos.
A verdadeira intenção aqui é a de, como São Pedro nos exorta em sua Primeira Carta, estarmos prontos para dar a quem nos perguntar a razão da nossa esperança. Por que a Igreja Católica é um tesouro e por que a consideremos o caminho mais seguro para a salvação?
A inspiração para esta reflexão surgiu de uma pergunta instigante durante um encontro familiar. A situação envolvia uma senhora que, após um período na Igreja Católica, optou por retornar a uma igreja evangélica não denominacional. A questão central era: “Deus pediria a alguém para deixar a Igreja Católica e ir para uma igreja evangélica?”
O Sistema Sacramental e a Reforma Protestante
A resposta a essa pergunta nos leva a quinhentos anos atrás, à eclosão da Reforma Protestante em 1517. Naquela época, a Igreja Católica enfrentava uma **corrupção moral acentuada** em sua hierarquia. Papas, bispos e padres pecadores e escandalosos eram, de fato, pedras de tropeço para muitos fiéis.
Diante desse cenário, alguns reformadores propuseram uma nova teologia que, em essência, descartava o sistema sacramental. O argumento era que as obras humanas não salvam; apenas a fé o faz. Para eles, não seria necessário receber a graça através de ministros pecadores, bastava um canal direto com Deus.
Assim, a maioria dos Sacramentos foi rejeitada. Para muitos, o Batismo, por exemplo, não transmitia graça, mas era apenas uma manifestação pública da fé. Consequentemente, o Batismo de crianças tornava-se impossível, pois elas não tinham fé para professar.
A Graça Segura Através dos Sacramentos
No entanto, a Igreja Católica, desde os seus primórdios e fundamentada nas Escrituras, sempre viveu e ensinou o sistema sacramental. Os Sacramentos são a forma que Jesus nos deu para que a salvação alcançada na Cruz fosse aplicada em nossas vidas. Do peito aberto de Cristo brotaram sangue e água, símbolos do Batismo e da Eucaristia – o início e o ápice de todos os Sacramentos.
A Bíblia é repleta de referências aos Sacramentos* No capítulo 6 do Evangelho de São João, Jesus nos exorta a comer Sua carne e beber Seu sangue para termos a vida eterna. Em João 20, Ele confere aos Apóstolos o poder de perdoar pecados: “A quem perdoardes os pecados serão perdoados, a quem não perdoardes não serão perdoados”. As últimas palavras de Mateus nos chamam a batizar em nome da Trindade. São Tiago nos fala da Unção dos Enfermos, e São Paulo, nas cartas pastorais e em Efésios, menciona a imposição das mãos (Ordenação) e o Matrimônio como um grande mistério.
Sem o Sacramento da Confissão, por exemplo, como receber o perdão dos pecados? Somente um ato de contrição perfeita – arrependimento por puro amor a Deus, sem medo do inferno ou desejo do céu – é capaz de perdoar os pecados fora da Confissão. Mas a contrição perfeita é uma graça rara e difícil de alcançar para a maioria. A Confissão, inspirada na parábola do Filho Pródigo, onde o pai corre ao encontro do filho (mesmo com sua contrição imperfeita), é o caminho seguro que Deus nos oferece.
Em resumo, o conforto de um culto mais animado ou a sensação de acolhimento não substituem a **graça segura** dos **Sacramentos**. Na hora da morte, quem oferecerá a absolvição, a indulgência plenária, a Unção dos Enfermos ou o Viático (a Comunhão para a jornada final)?
A graça de Deus pode, sim, operar em qualquer lugar, pois o Espírito sopra onde quer. No entanto, o sistema sacramental nos oferece um meio eficaz e certo de receber a graça. Somos católicos porque, nesta Igreja, mesmo com nossos ministros pecadores, temos a certeza de que a mão chagada de Cristo se ergue para absolver e que Seu Corpo e Sangue estão verdadeiramente presentes na Eucaristia. Aqui, a graça imaculada de Cristo é transmitida, inalterada pela indignidade humana, através de uma tradição de dois mil anos.





