A Igreja nos convida a fixar o olhar naqueles que nos precederam na jornada para Cristo. Hoje, celebramos um mistério profundo que ressoa com a ânsia de toda a humanidade: a expectativa do nascimento do Salvador, personificada em Nossa Senhora, sob o título carinhoso e ancestral de Nossa Senhora do Ó.
A Invocação que Veio do Desejo
Esta devoção, tão cara ao coração espanhol e que floresceu pela Europa, não nasceu de uma aparição singular, mas sim da própria liturgia da Igreja. O povo, ao ouvir as grandiosas Antífonas Majores que antecedem o Natal — aquelas exclamações solenes que começam com um “Ó!” profundo (“Ó Sabedoria, vinde!”; “Ó Emanuel, vinde salvar-nos!”) — encontrou um eco para o seu próprio anseio. O “Ó” tornou-se, assim, a expressão vocal da espera ardente da Igreja e, sobretudo, o reflexo do coração materno de Maria.
A invocação “Nossa Senhora do Ó” ou “Expectação do Parto” não designa ansiedade vazia, mas sim uma espera ativa e sobrenatural. Maria não é apenas uma mãe à espera do primeiro filho; ela é a figura central da Economia Divina, a Corredentora que carrega em si a promessa feita a Adão e Eva. Toda a esperança acumulada desde o Éden, todo o suspiro dos patriarcas, converge naquele ventre santificado. Ela aguarda, e ao aguardar, ela tece a humanidade com a Divindade.
A Grande Espera Universal
A beleza desta celebração reside no fato de que Maria nos coloca à frente da grande peregrinação humana. Ela é o espelho mais límpido onde se reflete a necessidade universal de um Redentor. Enquanto nós, em nossos dias, esperamos soluções para crises, paz em nossos lares ou a cura de doenças, Maria nos ensina a esperar em graça. Para mais reflexões sobre a fé em tempos de espera, consulte o calendário da fé.
Historicamente, esta festa tem raízes antigas, remontando ao Concílio de Toledo no século VI. Curiosamente, em seu início, celebrava-se a Anunciação, o momento em que o Verbo se fez carne. Posteriormente, Santo Ildefonso, bispo de Toledo, solidificou o foco na Expectação do Parto, unindo a alegria da Encarnação com a santa impaciência do Advento. É a fé que já vê a glória, mas ainda se ajoelha no pó da espera.
Maria, Modelo da Vida Cristã
Em nossa vida cristã contemporânea, somos frequentemente chamados à espera. Esperamos a segunda vinda de Cristo, esperamos a resposta a uma oração complexa, esperamos a manifestação visível da justiça de Deus. Como Maria, devemos transformar a espera em oração vigilante. Essa espera vigilante é tema abordado em A Vigilância da Esperança Cristã.
Nossa Senhora do Ó ensina que esperar não é paralisar, mas preparar. É manter o coração limpo, a alma atenta, como quem sabe que o maior tesouro está prestes a chegar. Ela nos inspira a ser portadores da Luz, mesmo antes de a Luz se manifestar plenamente em nossas circunstâncias.
Um Chamado Materno
Que hoje, sob o manto protetor desta invocação antiga, possamos pedir a Maria, Mãe de Deus e nossa, que interceda por todos os que anseiam pela vida, especialmente as gestantes, as famílias em dificuldade e aqueles que lutam para conceber. Que sua paciência divina nos seja emprestada para que não percamos a esperança no milagre que sempre se renova: o Cristo que se faz presente. A devoção mariana nos guia a esse encontro, assim como A Consagração a Nossa Senhora aprofunda nosso laço materno.
Que a santa espera de Maria nos ensine a amar a vinda do Senhor em cada amanhecer.
Fonte de inspiração: Canção Nova





