A distração na oração é um desafio universal. Quantas vezes você já se pegou pensando em tarefas diárias ou preocupações, mesmo ao tentar falar com Deus? É uma experiência comum, que pode gerar frustração.
No entanto, há uma boa notícia: mesmo uma oração que parece imperfeita tem valor para Deus. Ele conhece suas intenções e seu esforço para se aproximar d’Ele. Deus aprecia as pequenas tentativas de concentração. Ainda assim, devemos lutar para superar essas distrações, pois quanto mais foco, maior a nutrição da alma pela oração.
Atenção Plena na Oração: O Caminho de Santo Tomás
Santo Tomás de Aquino descreve três níveis de atenção. O primeiro é a atenção às palavras, uma recitação mecânica sem reflexão profunda. O segundo é a atenção aos sentidos, onde meditamos o significado das palavras, enriquecendo a oração.
O nível mais elevado é a atenção à presença. Aqui, estamos plenamente conscientes de que falamos com Deus, uma Pessoa real. A oração se torna um verdadeiro diálogo íntimo, transformador, um aprendizado contínuo que nos aproxima mais do Senhor.
Distrações: Voluntárias ou Involuntárias?
Frei Antonio Roio Marim nos ajuda a distinguir as causas. A distração involuntária surge de fatores fora de nosso controle direto, como temperamento, fadiga mental, uma direção espiritual inadequada ou até mesmo influência demoníaca.
Já a distração voluntária resulta de nossa falta de preparação. Isso pode ser a preparação próxima (não cuidar do local, tempo ou postura da oração) ou a preparação remota (uma vida diária cheia de agitação e preocupações que se refletem na oração).
Superando a Distração com Estratégias Práticas
Para distrações involuntárias, Frei Antonio oferece remédios: ler e rezar em voz alta; escrever as orações para fixar o pensamento; focar em um objeto sagrado (sacrário, imagem); escolher temas concretos; e, acima de tudo, a humildade diante de Deus.
Para as distrações voluntárias, a preparação é crucial. Prepare um ambiente tranquilo, reserve um horário e adote uma postura adequada. Na vida diária, cultive o interior, evitando a “curiosidade vã” e o excesso de informações que dispersam a mente. O silêncio interior é vital, pois nos ajuda a ouvir Deus, promove o autoconhecimento e a saúde mental.
Proteger nossos sentidos e o coração de estímulos negativos é fundamental. Ao selecionar conteúdos que elevam o espírito, mantemos nosso interior limpo e receptivo à voz de Deus. Essa luta pela concentração é uma batalha espiritual, um meio de santificação. Cada esforço sincero vale muito aos olhos de Deus e nos aproxima d’Ele.





