A paternidade de São José sobre Jesus é um dos mistérios mais belos e, por vezes, desafiadores da fé católica. Como José pode ser chamado de pai de Jesus se Nossa Senhora concebeu sendo virgem? Esta questão, que intriga muitos, revela a profundidade do plano divino e a singularidade do papel de José na Sagrada Família.
Para a doutrina católica, Nossa Senhora é sempre Virgem. Portanto, São José é o pai putativo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse termo designa um pai que, embora não biológico, é legítimo de boa-fé, agindo como um pai nutrício, conforme a tradição da Igreja. Ele é a figura masculina que nutre e provê para a família.
O Papel Divino de São José
É fundamental compreender que o verdadeiro Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus Pai. Jesus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, quis vir ao mundo sem pai de sangue humano, pois tem seu Pai eterno no Céu. Ele tem o sangue de Nossa Senhora, sua mãe, mas não o de José. O mistério divino fez com que Deus se encarnasse tendo apenas uma mãe.
Contudo, era necessário que o Menino Jesus tivesse um pai terreno, alguém que cuidasse e velasse por Ele. Jesus assumiu toda a fragilidade humana, com exceção do pecado, e precisava de proteção e amparo. O casamento de José e Nossa Senhora foi realizado nos planos da Divina Providência. José, como descreve a Sagrada Escritura, era um homem justo.
Ele se destacou entre os patriarcas, sendo um elo entre o Antigo e o Novo Testamento. Após a Virgem Santíssima, São José é aquele que merece a maior devoção e honra. Enquanto a Deus damos a latria (adoração) e à Virgem Maria a hiperdulia (veneração máxima), a São José dedicamos a protodulia, uma veneração de destaque entre todos os outros santos.
A Santidade e Devoção a São José
A Igreja o declarou Patrono Universal da Igreja e, consequentemente, nosso pai. Essa escolha divina para ser o pai terreno de Jesus neste mundo reflete sua santidade ímpar. Parece um paradoxo, mas é uma realidade instituída pelo próprio Cristo e por Deus. José foi o único homem que a providência divina poderia nos dar, capaz de frequentar o lar de Nazaré com tamanha virtude e pureza.
Pesquisadores sugerem que José nunca cometeu qualquer pecado, nem mesmo venial, possuindo uma pureza quase tão grande quanto a da Virgem Santíssima, preservada do pecado original. Sua vida é um testemunho de um grande homem, modelo abaixo apenas do próprio Cristo.
Descendente da estirpe de Davi, José cumpria a promessa de que o Messias viria dessa linhagem. Deus quis mostrar que, embora a vinda de Cristo fosse muito superior a qualquer promessa de sangue, a encarnação do Verbo se daria dentro da linhagem davídica. O próprio Cristo quis conviver 30 anos com este grande homem, colocando-se sob sua tutela.
Ele foi o único digno de desposar a criatura mais perfeita de toda a história, a Virgem Santíssima. Por esses méritos e virtudes, São José é padroeiro da Igreja, assumindo uma paternidade espiritual para com o Filho de Deus e conosco. Os títulos da Ladainha de São José, como “Terror dos Demônios”, atestam a graça recebida de Deus.
A paternidade de José é um modelo completo para nós: de homem, filho de Deus, esposo, pai e trabalhador. Sua figura, como São José Operário, inspira-nos a viver com virtude e a enfrentar responsabilidades. Histórias de santos, como Santa Teresa D’Ávila, demonstram a eficácia de sua intercessão. Ele é um pai que não apenas nos presenteia, mas nos educa, nos dá trabalho e nos ensina a olhar para a salvação de nossa alma e para a nossa família. Peça sua intercessão em suas dificuldades e responsabilidades.





