No calendário da Igreja, somos agraciados com a memória da Beata Eusébia Palomino Yenes, um farol de simplicidade e devoção que floresceu sob o carisma de São João Bosco. Sua vida, tecida com os fios rústicos da necessidade, revela como Deus escolhe os corações humildes para manifestar Sua glória. Beata Eusébia Palomino Yenes
O Chão da Necessidade e o Primeiro Chamado
Nascida em terras espanholas no findar do século XIX, Eusébia conheceu desde cedo a rudeza da vida. Filha de um lavrador, viu seu pai, nos invernos escassos, transformar-se em itinerante da mendicância para garantir o pão da família. É neste cenário de privação que a pequena Eusébia, acompanhando o pai, aprende a dureza da repartição, mas também a profundidade da fé que sustenta os despojados.
Aos oito anos, um momento decisivo selou seu destino: o contato íntimo com a Eucaristia. Ali, no silêncio do Sacramento, Eusébia sentiu um chamado irrefutável, um “sim” total e eterno ao Senhor. Contudo, as realidades terrenas exigiram seu tributo, forçando-a a abandonar os bancos escolares para se somar ao trabalho familiar.
O Oratório: O Refúgio Salesiano
Mesmo sem a formalidade do estudo, o coração de Eusébia buscava o alimento espiritual. Aos domingos, ela encontrava refúgio e alegria no Oratório das Filhas de Maria Auxiliadora. Sua presença, marcada por uma seriedade precoce e um serviço alegre, não passou despercebida. As irmãs, percebendo a pureza de seu trato, convidaram-na a colaborar, e ela abraçou essa missão com a leveza de quem serve a Cristo.
Eusébia nutria em segredo o sonho de vestir o hábito salesiano. Era um desejo guardado a sete chaves, pois a humildade a fazia temer a recusa, baseada na falta de dote ou instrução formal. Ela confiava, dizendo a si mesma que, se cumprisse bem seus deveres com amor à Virgem, um dia seria aceita. Sua fé prática moveu o céu; ao confiar seu desejo a uma superiora visitante, recebeu o aceno de que não precisava se preocupar. O amor da Congregação, falando pela Madre Geral, abriu-lhe as portas.
A Prova do Noviciado e a Perseverança
Em 1922, Eusébia iniciou o noviciado, e dois anos depois, fez sua profissão religiosa. Sua primeira missão a levou a Valverde del Camino. Ali, a provação veio na forma de escárnio. Jovens do oratório, talvez por incompreensão ou maldade, ridicularizavam sua pessoa e seu voto. Para Eusébia, este foi o seu calvário particular.
Sua resposta, contudo, era tipicamente salesiana: arregaçar as mangas. Ela não se deixou abater. Em vez de revidar ou se isolar, dedicou-se com redobrado fervor às tarefas. Logo, a doçura de seu trato começou a desarmar os corações mais duros. Sua grande arma era a narração: possuindo uma memória abençoada, ela cativava crianças e jovens com histórias vibrantes dos santos e, especialmente, das anedotas edificantes de Dom Bosco. Sem a formação teológica pomposa, sua boca falava o que seu coração transbordava: a sabedoria de Deus.
Vítima pela Pátria
Quando os ventos da perseguição anticlerical varreram a Espanha na década de 1930, Irmã Eusébia, vendo a Igreja em perigo, buscou um caminho mais radical de amor e intercessão. Em um ato de suprema caridade, ela se ofereceu como vítima expiatória a Deus pela salvação da Espanha.
Deus aceitou sua oferta. Pouco tempo depois, uma enfermidade insidiosa começou a consumi-la. A asma, antes leve, tornou-se um fardo pesado, e os médicos se mostraram impotentes diante do mal misterioso. Entre a noite de 9 e 10 de fevereiro de 1935, sua alma alada ascendeu ao Céu. A saudade que deixou foi tão profunda que as pessoas de Valverde testemunharam: “Morreu uma santa”.
Conexão com a Vida Cristã Atual
A Beata Eusébia nos ensina hoje que a santidade não reside na ausência de dificuldades ou na fartura de bens, mas na fidelidade humilde no serviço diário. Sua vida nos lembra que o verdadeiro dote para o serviço de Deus é um coração alegre e disponível. Em um mundo que valoriza diplomas e aparências, a Irmã Eusébia prova que a simplicidade de coração é o melhor veículo para transmitir a alegria do Evangelho. Dom Bosco
Seja no oratório, na casa ou no trabalho, somos chamados a ser “historiadores” da bondade de Deus, usando os dons que temos – mesmo a memória ou o dom de contar histórias – para levar os outros ao encontro com Jesus Eucarístico. Liturgia Diária – 08/02/2026: Convite prático:
Que a fidelidade silenciosa da Beata Eusébia nos inspire a transformar nossas provações em ofertas de amor pela salvação das almas que nos são confiadas.
Fonte de inspiração: Canção Nova




