No dia 14 de fevereiro, a liturgia nos convida a honrar a memória de duas figuras notáveis, unidas pelo nome e pelo martírio: São Valentim, o presbítero romano, e São Valentim de Terni, o bispo zeloso. Em meio à celebração de São Cirilo e São Metódio, estes dois mártires nos legam um testemunho profundo sobre o valor inestimável do matrimônio cristão, tornando-se os padroeiros das almas enamoradas.
Ambos floresceram sob o céu turbulento do século III, numa época em que o Império Romano, mergulhado em conflitos, via no compromisso matrimonial uma fraqueza militar. O Imperador Cláudio II, em sua lógica fria e terrena, decretou a proibição dos casamentos entre os jovens, acreditando que um soldado sem laços familiares seria mais destemido na batalha. O celibato forçado era visto como o motor da coragem bélica.
O Presbítero Ousado: Celebrando o Sagrado em Segredo
O padre Valentim, testemunha da vocação à família, recusou-se a dobrar-se diante da tirania. Ele compreendia que o amor humano, quando santificado, não enfraquece, mas fortalece a alma para qualquer provação. Em um ato de coragem pastoral, continuou a celebrar a união de casais em segredo, ligando corações sob o olhar de Deus, e não do César.
Quando a verdade veio à luz, o padre foi confrontado. Sua defesa inflamada da união conjugal como um desígnio divino, um verdadeiro “sacramento”, tocou o coração da multidão reunida. Cláudio II, relutante em derramar sangue imediatamente, impôs-lhe uma “prisão domiciliar” na casa do prefeito Astério. Este foi um golpe de providência disfarçado de punição, pois a filha cega do prefeito foi curada pelas mãos de Valentim, levando à conversão de toda a família.
A fé que trazia luz à escuridão física do lar pagão selou seu destino. Ameaçado, Valentim foi açoitado e, por fim, decapitado na Via Flaminia, no dia 14 de fevereiro de 269. Sua última pregação foi a própria entrega de sua vida pela defesa do amor fiel.
O Bispo Conselheiro: A Rosa e a Lição dos Espinhos
Simultaneamente, em outro lugar, o bispo Valentim de Terni exercia seu ministério com um dom particular: o da reconciliação e do aconselhamento conjugal. As lendas o pintam como o casamenteiro por excelência, não por unir meramente, mas por ensinar o caminho da durabilidade no amor.
Conta-se que, ao ouvir uma disputa entre jovens enamorados, o bispo se aproximou com a serenidade de quem carrega a paz de Cristo. Em suas mãos, uma rosa rubra. Ele pediu que os noivos segurassem a flor com extremo cuidado para não se ferirem com os espinhos. Depois, usando a beleza frágil da flor como metáfora, ele explicou-lhes a essência do matrimônio: “As rosas são belas, mas contêm espinhos. Assim são as diferenças no convívio; é preciso conhecê-las, respeitá-las e manuseá-las com delicadeza para que ninguém se fira.”
Esta lição prática sobre a delicadeza mútua e o respeito pelas fragilidades humanas foi o fundamento para a união feliz daqueles jovens, e sua fama se espalhou. O bispo Valentim, mais tarde, também sofreu o martírio em 273, sob o Imperador Aureliano, após converter o filósofo Crato e seus discípulos.
Legado Devocional: O Amor Sob o Signo do Sacrifício
A Igreja, ao unir estes dois testemunhos, não celebra apenas o romance efêmero, mas a fidelidade inabalável que tudo suporta. Estes Valentins nos lembram que o amor verdadeiro, o ágape, exige coragem para resistir às pressões do mundo (como o antigo decreto imperial) e sabedoria para lidar com as dificuldades diárias (os espinhos da rosa). Confira aqui a fusão das histórias de São Valentim e Valentine’s Day.
Em nossa era, onde o compromisso é muitas vezes descartável, a memória dos Valentins é um chamado a edificar relações alicerçadas no sacramento, onde a entrega total, tal como a de um mártir, se traduz na doação diária ao outro. Para a celebração litúrgica do dia, veja a liturgia do dia 14/02/2026.
Oração sincera a São Valentim de Terni nos inspira a buscar em Deus a força para aceitar as imperfeições de quem amamos e a graça para sermos guias de paz e concórdia. É pedir que o olhar de Cristo abençoe nossos laços, transformando a paixão inicial em amor duradouro.
Que a coragem destes dois santos nos inspire a cultivar um amor que não foge da cruz, mas que nela encontra a plena redenção.
Fonte de inspiração: Canção Nova





