Santo do Dia: São Francisco de Sales, Doutor da Doçura e Mestre das Letras Cristãs

No calendário da Igreja, celebramos hoje a memória de um gigante da mansidão e um farol para todos os que manuseiam a pena e a palavra: São Francisco de Sales. Nascido no berço nobre da Saboia, em 1567, sua vida, desde cedo, foi um tecido de nobreza terrena e aspirações celestes. Para conhecer mais sobre este grande santo, clique aqui.

A Busca pela Vontade Divina

Vindo de uma família abastada, Francisco de Sales recebeu uma educação primorosa, moldada pelos jesuítas, onde adquiriu erudição e o domínio de diversas línguas. No entanto, antes da erudição dos livros, ele já traçava um voto silencioso no coração: a castidade e a inegociável busca pelo querer de Deus. Este voto juvenil revelou-se a bússola de toda a sua existência, guiando-o através das tormentas da dúvida teológica, uma provação que ele superou com profunda confiança na Misericórdia do Senhor, amparado por Nossa Senhora.

Embora o mundo esperasse que ele seguisse a carreira jurídica, como indicavam seus estudos em Pádua, o chamado pastoral era irrecusável. Aos 26 anos, em 1593, trocou as togas forenses pelo estola sacerdotal. Ele não desejava a santidade apenas para si; era um homem que ansiava por ser um instrumento de santificação para os outros.

O Bispo que Amava as Almas

Sua vocação floresceu em um campo árido: Genebra, assolada pelas heresias. Francisco de Sales não recorreu apenas à força da teologia, mas usou a “doçura no falar” como arma apostólica. Foi um mestre na arte da persuasão gentil, semeando a unidade cristã através da pregação e, notavelmente, utilizando o poder emergente da imprensa para difundir a sã doutrina.

Em 1599, a Igreja o chamou ao episcopado. Como Bispo, sua vida foi um retrato do Bom Pastor. Visitava as dioceses mais remotas, reorganizava comunidades religiosas com carinho pastoral e dedicava-se incansavelmente à catequese. Sua atuação era marcada pela paciência, um testemunho vivo da caridade em ação.

A “Introdução à Vida Devota”: Um Clássico da Espiritualidade

Um dos pilares do seu legado é a obra “Filoteia”, ou “Introdução à Vida Devota”. Nascida de uma amizade espiritual transformadora com Santa Joana Francisca de Chantal, este livro é um manual prático para a santificação no meio do mundo. Francisco de Sales desmistificou a ideia de que a santidade é um privilégio exclusivo de monges e freiras.

Ele ensinou que todo batizado é chamado à perfeição, seja um nobre, um artesão ou um soldado. O amor a Deus deve permear todas as atividades cotidianas, tornando o lar, o escritório e a praça pública em um verdadeiro oratório. Sua habilidade de articular verdades profundas com uma linguagem acessível e afetuosa lhe rendeu o título póstumo de Doutor da Igreja, concedido pelo Papa Pio IX em 1877.

O Patrono das Letras e da Comunicação

Por que São Francisco de Sales é o patrono dos escritores e jornalistas? Porque ele soube usar a palavra escrita e falada como um bálsamo e uma luz. Ele defendia que a comunicação, quando temperada pela caridade e pela verdade, é um poderoso meio de evangelização. Ele nos lembra hoje que, nas redes sociais, nos artigos e nas conversas, devemos sempre buscar a “mansidão e a caridade”, evitando a aspereza que fecha ouvidos e corações.

O Legado da Mansidão

Ao lado de Santa Joana, fundou a Ordem da Visitação de Santa Maria, um refúgio para almas dedicadas a Deus, mas que buscavam a contemplação sem o rigor das clausuras severas da época, priorizando a caridade para com os necessitados. Ele partiu para a glória em 1622, aos 55 anos, após uma vida inteira dedicada a curar feridas espirituais com a suavidade de um verdadeiro mestre da mansidão. Você pode conferir outros santos celebrados em janeiro.

São Francisco de Sales nos convida a olhar para a nossa própria vida de fé: estamos sendo duros com os que erram ou semeamos, como ele, a bondade que desarma? Ele nos ensina que a força da verdade não precisa da gritaria para ser ouvida; basta que seja revestida da gentileza do Espírito Santo.

Que possamos, a exemplo deste Santo Doutor, temperar cada palavra que proferimos e escrevemos com a doçura que reflete o amor infinito de nosso Senhor. Veja também o convite prático da liturgia de hoje.

Que a mansidão de São Francisco de Sales nos guie a ser a voz da caridade no mundo ruidoso de hoje.

Fonte de inspiração: Canção Nova

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