Das terras da Polônia, na encantadora Kety, irrompeu para o mundo, em 1390, uma alma predestinada à luz: João Câncio. Sua jornada terrena foi um tecido fino, tramado com os fios da erudição e da mais pura devoção. Após trilhar os caminhos do saber na vibrante Cracóvia, onde se fez sacerdote, ele não se contentou apenas com os bancos da academia; tornou-se mestre, semeando a doutrina não só nas salas de aula da prestigiada Universidade, mas também nas paróquias, como a de Ilkusz, onde serviu ao povo com um zelo pastoral contagiante.
João não era apenas um erudito de notável saber; era a própria encarnação da humildade diante da verdade. Quando se dedicava a desvendar as Escrituras para os simples, sua eloquência era temperada por uma simplicidade que tocava o coração. Ele vivia o que ensinava, e seu maior sermão era sua própria conduta: castidade inabalável e uma misericórdia que abraçava a todos, sem distinção.
O Escudo da Humildade Contra a Inveja
A verdadeira fé atrai tempestades. Em meio aos debates teológicos acalorados de sua época, João enfrentava vozes opositoras que, movidas pelo ciúme de sua sabedoria e pureza, lhe atiravam insultos e sarcasmos. A reação deste homem santo não era a ira nem a vingança mundana. Sua resposta era sempre a mesma, um bálsamo de paz: “Graças a Deus”. Essa frase, repetida com serenidade, era a arma mais potente, um reconhecimento de que toda glória pertence ao Alto, e que as tribulações são presentes disfarçados para a alma que anseia por Cristo.
O Lema que Elevava a Alma: “Mais para o Alto!”
Embora reconhecido por sua inteligência, São João Câncio renegava a vaidade acadêmica. Ele buscava um tesouro que nem a ferrugem nem a ambição poderiam corroer. Sua vida era uma constante ascese, um firme repúdio aos bens transitórios. Seu lema, “Mais para o alto!”, ecoava como um chamado constante à vida espiritual. Era a expressão viva da caridade evangélica, uma marca indelével que lembrava os ideais franciscanos de desapego e amor irrestrito. Sua ciência servia à piedade, jamais o contrário.
O Testemunho da Caridade na Estrada
Um episódio, em particular, ilumina a profundidade de sua caridade. Durante uma peregrinação rumo a Roma, o comboio em que viajava foi brutalmente atacado por salteadores. João, despojado de seus bens, fez a descoberta de uma moeda esquecida pelos bandidos em seus pertences. Em vez de aceitar a perda como um mal menor, ele fez algo impensável: correu atrás dos assaltantes para devolver-lhes o troco perdido! Aquele gesto de altruísmo radical desarmou os corações mais duros. Comovidos pela nobreza de um homem que, mesmo roubado, se preocupava com o prejuízo alheio, os ladrões não só devolveram o que haviam tomado, mas também se converteram, pelo menos momentaneamente, à admiração por tal virtude.
O Legado de um Ancião Fiel
São João Câncio cumpriu seus 83 anos em Cracóvia, partindo para a Casa Eterna em 1473, deixando para trás um rastro de luz intelectual e moral. Sua santidade foi reconhecida oficialmente em 1767, quando o Papa Clemente XIII o inscreveu no rol dos santos. Hoje, ele nos interpela: em um mundo obcecado pela ascensão terrena e pelo acúmulo, onde reside o nosso “Mais para o Alto!”? As virtudes que ele viveu – a humildade que silencia o ego, a caridade que transcende a lógica do prejuízo, e a fé que responde à ofensa com a bênção – são o mapa para a nossa própria vocação cristã. Para saber mais sobre São João Câncio, um homem de grandes virtudes, consulte fontes adicionais.
Que possamos, como João, fazer da nossa vida um constante ato de entrega, buscando sempre a verdadeira riqueza, aquela que nos espera no Céu. Que as lições deste santo nos ajudem a manter o foco no que realmente importa, tal como as 5 lições de Santo Agostinho para o coração inquieto nos lembram.
A santidade não é um destino para poucos, mas a direção para todos aqueles que ousam buscar a Deus acima de todas as coisas.
Fonte de inspiração: Canção Nova





