A Era Comum, ou Era Cristã, é o nosso sistema atual de medição do tempo, tendo como marco central o nascimento de Jesus Cristo. Essa referência foi estabelecida com base no ano 754 desde a fundação de Roma (754 AUC). Este sistema de contagem foi idealizado por Dionísio, o Exíguo, um monge do século VI, que buscava fixar o ano um com base em dados históricos e passagens das Escrituras. Para saber mais sobre a data de seu nascimento e a convenção estabelecida, veja em que data Jesus nasceu de acordo com os evangelhos e como surgiu a convenção de 25 de dezembro.
Dionísio utilizou duas informações cruciais dos Evangelhos. Primeiramente, São Lucas indica que João Batista começou a pregar no 15º ano do reinado do Imperador Tibério, correspondente ao ano 782 AUC. Em segundo lugar, o mesmo evangelho aponta que Jesus iniciou seu ministério público por volta dos 30 anos. Combinando esses dados, Dionísio concluiu que o nascimento de Jesus ocorreu entre os anos 752 e 753 AUC, definindo, assim, o ano um da Era Cristã.
A Imprecisão nos Cálculos Históricos
Embora a contagem de Dionísio seja a base histórica que usamos hoje, ela possui margens de erro significativas, estimadas entre quatro e sete anos. Estudos posteriores apontam para inconsistências importantes nos cálculos que visavam determinar o nascimento de Jesus.
Um dos principais fatores que evidenciam essa imprecisão é a data da morte de Herodes, o Grande, que ocorreu no ano 750 AUC. O Evangelho de Mateus relata que Jesus nasceu durante o reinado de Herodes, e que este ordenou o Massacre dos Inocentes. Se Jesus tivesse nascido após o ano 750 AUC, esses eventos bíblicos não poderiam ter ocorrido, gerando uma contradição com os relatos.
Outro ponto de complexidade é o decreto do censo de César Augusto, mencionado em Lucas 2:1. A data exata desse decreto é incerta, embora se acredite que tenha ocorrido após a pacificação do Império Romano, por volta de 746 AUC. A dificuldade em datar com precisão o censo que levou José e Maria a Belém reforça a incerteza sobre o ano exato do nascimento de Jesus.
Fé vs. Cronologia
Devido às dificuldades cronológicas, a Igreja nunca estabeleceu como dogma de fé nem o cálculo exato de Dionísio, nem a data específica que hoje celebramos como Natal (25 de dezembro). A escolha desta data para a celebração não se baseia na precisão cronológica, mas em um profundo simbolismo: marcar a Encarnação de Deus no mundo. A reflexão sobre a Deus tece nossa história de amor convida a meditarmos sobre a ação divina no tempo.
Para a fé cristã, o essencial não é saber o dia exato do evento, mas sim celebrar o Mistério da vinda de Cristo, a luz que Ele trouxe à humanidade e a transformação operada em nossa história. O nascimento de Jesus é o verdadeiro marco que divide a história em um antes e um depois de Sua presença entre nós. A reflexão sobre a data nos convida a focar no significado espiritual, e não apenas na exatidão histórica. A vida cristã exige como viver a fé com força e perseverança diante dos desafios.





