Uma dúvida comum que permeia muitas famílias e comunidades é sobre o Batismo de Crianças. Muitos pais, inspirados pela crença de que Jesus foi batizado apenas na idade adulta, questionam a prática de batizar seus filhos pequenos. Essa é uma preocupação legítima, e a Igreja Católica tem uma resposta profunda e enraizada em sua fé e história.
A questão muitas vezes surge com a busca por uma resposta explícita na Bíblia para o batismo infantil. Contudo, é fundamental compreender que essa abordagem pode nos levar a um terreno equivocado. O pressuposto de que “tudo deve estar na Bíblia” é uma premissa que, para nós católicos, não se alinha à plenitude da nossa fé.
A Pergunta Fundamental: Bíblia ou Tradição?
Para os católicos, a Bíblia é a Palavra de Deus, de valor inestimável e digna de estudo profundo. No entanto, ela não é uma “caixinha de respostas” para todas as questões da fé. A Igreja Católica compreende que a fé é guardada no depósito da fé, que inclui a Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras.
É importante lembrar que a Igreja já batizava crianças antes mesmo que o cânon do Novo Testamento estivesse completamente estabelecido. Os 27 livros que compõem o Novo Testamento não surgiram de uma vez. Foi a própria Igreja, guiada pelo Espírito Santo, que discerniu e reconheceu quais livros eram inspirados e quais não eram. Assim, cremos na Bíblia porque, antes, cremos na Igreja.
Deus é o autor da Bíblia porque Deus é o autor da Igreja. Portanto, a pergunta mais adequada não é “onde está na Bíblia que posso batizar crianças?”, mas sim: “A Igreja que Jesus deixou batiza crianças desde sempre? Qual o fundamento dessa tradição?”.
Indícios Bíblicos e a Práxis da Igreja
Embora não haja um versículo direto ordenando o batismo infantil, o Novo Testamento apresenta indícios e princípios que sustentam essa prática. Um exemplo é a história de São Paulo e Silas em Filipos, nos Atos dos Apóstolos. Após a conversão do carcereiro, lê-se que “foi batizado ele e toda a sua família”. Isso sugere fortemente a presença de crianças.
Na sociedade antiga, a conversão do “pater familias”, o pai de família, frequentemente significava a conversão de todo o lar. Dessa forma, as famílias católicas que se formavam tinham seus filhos batizados desde cedo, uma prática que a Igreja acolheu e instituiu, inclusive, o ministério de padrinhos e madrinhas. Eles são os responsáveis teóricos pela educação católica da criança, caso os pais não a proporcionem.
O Batismo de Jesus: Uma Realidade Única
A argumentação de que Jesus foi batizado adulto e, portanto, deveríamos seguir o mesmo caminho, não se sustenta à luz da doutrina católica. O Batismo de Jesus, realizado por João, era um batismo de penitência. Ele não tornava as pessoas filhas de Deus como o nosso batismo faz.
Além disso, o batismo de Jesus foi um momento de unção especial, uma efusão extraordinária do Espírito Santo sobre Ele, diferente do batismo que recebemos. Portanto, o batismo de Cristo é um evento único e particular, não um modelo para a idade de batismo dos fiéis. A práxis da Igreja, guiada por Jesus, é o que deve ser observado.
Jesus prometeu não abandonar sua Igreja: “Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos”. Se a Igreja tem praticado o batismo de crianças por dois mil anos, é porque Ele a guia nessa prática. Lembremos das palavras de Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas”.
Para os católicos, o batismo é um sacramento de salvação, uma intervenção divina que arranca a criança da escravidão do pecado original e a transforma em filha de Deus. Abre as portas do Céu e da graça, permitindo-lhe viver uma vida melhor em Cristo. Se compreendemos a condição terrível de não ser batizado, teremos pressa em batizar nossos filhos, pois não é apenas uma cerimônia, mas a entrada na vida divina.





