Por Que Católicos Guardam o Domingo e Não o Sábado?

A dúvida sobre a guarda do sábado ou do domingo é um questionamento comum que muitos cristãos católicos enfrentam. Frequentemente, pessoas de outras denominações cristãs ou de seitas cristãs-judaicas levantam essa questão, citando passagens como Deuteronômio 5, que instrui a observância do sábado. Para muitos, a Igreja Católica teria “pervertido a Bíblia” ou o Papa teria “mudado as coisas”. No entanto, a resposta para essa questão reside na compreensão das alianças de Deus com a humanidade.

Muitos se calam diante desse questionamento por não saberem como argumentar. É uma pena, pois a resposta é mais clara do que parece. Não se trata de uma discussão sobre fé, mas de um entendimento profundo da história da salvação e da evolução das alianças divinas.

As Alianças de Deus: Do Sábado à Nova Aliança

No Antigo Testamento, Deus estabeleceu diversas alianças preparatórias com seu povo. A palavra “testamento” na Bíblia, do latim Testamentum, significa justamente “aliança”. Assim, temos não apenas uma, mas múltiplas alianças: com Noé, com Abraão, com Moisés. Essas alianças eram como etapas, preparando o caminho para a aliança definitiva.

Podemos comparar essas alianças a anéis de compromisso. Há o anel de namoro, o de noivado e, finalmente, o anel do matrimônio. Somente o anel do matrimônio representa a união eterna e indissolúvel. As alianças do Antigo Testamento eram temporárias, substituídas por uma nova e eterna que viria com Jesus Cristo.

Quando Jesus, o Messias, instituiu a Eucaristia na Última Ceia, Ele declarou: “Este é o cálice da nova e eterna aliança”. As antigas alianças se tornaram “velhas” e foram superadas. O Antigo Testamento, portanto, preparou a vinda de Jesus, a plenitude da revelação e da salvação.

O Domingo: Dia da Nova Aliança e da Ressurreição

A transição do sábado para o domingo como dia de guarda para os cristãos está intrinsecamente ligada ao evento central da fé: a Ressurreição de Jesus. Ele foi crucificado na sexta-feira e ressuscitou na madrugada do domingo, no que a Bíblia chama de “primeiro dia da semana”.

Simbolicamente, este “primeiro dia” é também o “oitavo dia”. Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. A ressurreição de Cristo, no oitavo dia, marca a recriação do mundo em Cristo, o início de uma nova era. É um ciclo sem emenda, assim como a aliança matrimonial, que não tem início nem fim visíveis.

A palavra “domingo” vem do latim Dies Dominicus, que significa “Dia do Senhor”. Que Senhor? O Senhor Jesus, que inclusive afirmou ser “Senhor do sábado” (Marcos 2:28). Para os cristãos, o dia do Senhor não é mais o repouso do sábado, mas o dia da Ressurreição, o dia da vitória de Cristo sobre a morte.

Não foi uma decisão arbitrária da Igreja ou de um Papa. Desde os Atos dos Apóstolos, os primeiros cristãos já celebravam a Eucaristia e outros sacramentos no primeiro dia da semana. Todas as aparições do Cristo ressuscitado ocorreram no domingo, assim como a Ascensão e o Pentecostes, consolidando o domingo como o dia central da fé cristã.

Recuperando o Sentido Sagrado do Domingo

Enquanto o judaísmo, que não aceita Jesus como Messias, mantém a guarda do sábado, os cristãos, fundamentados na Nova e Eterna Aliança, celebram o domingo. O domingo, para o cristão, é um dia santo, um dia de descanso em Deus, de conexão com o Eterno e de participação na Santa Missa.

Infelizmente, o caráter religioso do domingo tem se perdido na sociedade moderna, tornando-se apenas um dia de lazer e atividades diversas. É nossa responsabilidade, como cristãos católicos, recuperar e valorizar esse dia. Deus nos pede tão pouco: um dia, um tempo para Ele, para a Eucaristia, para a Sua Palavra.

Jesus mesmo, em suas ações no sábado, demonstrou que a lei não é um fardo, mas um caminho para a liberdade e a vida. Ele curava e fazia o bem, mostrando a dureza de coração daqueles que priorizavam a regra em detrimento da pessoa. O domingo é o nosso dia de liberdade, de restauração, de ressurreição em Cristo. Acostumar a família e os filhos a reservar um horário para a missa é essencial para manter viva essa tradição e o sentido sagrado do Dia do Senhor.

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