Livre Arbítrio vs. Liberdade: A Escolha de Agir Conforme a Natureza
Livre Arbítrio vs. Liberdade: A Escolha de Agir Conforme a Natureza

Livre Arbítrio vs. Liberdade: A Escolha de Agir Conforme a Natureza

Imaginemos uma cena simples para entedermos melhor o Livre Arbítrio: uma gaiola com a porta aberta, e um pássaro sentado à sua entrada. Se esse pássaro possuísse a capacidade de pensar, de inteligência, e alguém lhe desse uma escolha: “Você pode entrar na gaiola e ter a porta fechada, ou pode bater as asas e voar para o céu”. Essa decisão é o que chamamos de livre arbítrio. No entanto, apenas uma dessas escolhas o faria verdadeiramente livre. Entrar na gaiola o transformaria em um prisioneiro; voar para o céu, sim, o tornaria um pássaro livre. A Liberdade, portanto, não se resume apenas à escolha; é optar por aquilo que está em consonância com a nossa natureza mais profunda.

A Diferença Entre Livre Arbítrio e Liberdade Verdadeira

Para o pássaro, a liberdade é voar, porque essa é a sua essência. Quanto mais ele voa, mais livre se torna. Conosco, seres humanos, acontece algo similar. Temos o poder de fazer inúmeras escolhas, mas nem todas nos conduzem à verdadeira liberdade. Podemos, por exemplo, subir em um prédio e nos atirar, querendo voar. Mas essa não é a nossa natureza; o resultado, na melhor das hipóteses, seria uma queda dolorosa e talvez perdas físicas graves. Essa seria uma escolha ruim, pois não nos alinha com o que realmente somos.

Livre Arbítrio vs. Liberdade: A Escolha de Agir Conforme a Natureza

O livre arbítrio nos concede a capacidade de escolher, mas a verdadeira liberdade reside em escolher o verdadeiro, o certo, o bem. São João Maria Vianney, em uma de suas homilias, observou que o pássaro deve cantar e voar, e ele o faz. O ser humano, por outro lado, deveria amar, mas nem sempre ama. Essa é a essência da tragédia humana: mesmo diante do livre arbítrio, nem sempre optamos por aquilo que nos faz verdadeiramente livres.

Conhecer a Si Mesmo: O Caminho para a Liberdade

A antropologia é a ciência que busca responder à pergunta fundamental: “Quem é o homem?”. Ao compreendermos nossa base antropológica, somos guiados por outras ciências essenciais: a metafísica, que busca a causa última de todas as coisas, e a ética, que nos orienta sobre como agir bem. Cada pessoa deveria se fazer essa pergunta: “Quem eu sou?”. A resposta, um profundo entendimento de si mesmo, é a chave.

Viver de acordo com essa verdade, com a nossa natureza intrínseca, é o que realmente nos liberta. Não somos nós que ditamos o que nos torna livres; é a consciência de quem somos e a ação alinhada a essa identidade que nos concede a liberdade plena. Somos seres chamados às virtudes, pois elas são o caminho para a realização de nossa verdadeira natureza.

As Virtudes como Fundamento da Liberdade

Quando alguém se torna justo ou honesto, torna-se livre. A injustiça, por outro lado, aprisiona em suas próprias escolhas equivocadas. Da mesma forma, a fidelidade em um relacionamento traz liberdade, enquanto a infidelidade escraviza. A liberdade está, portanto, profundamente ligada à compreensão de quem somos. Quanto mais vivemos e nos tornamos aquilo que devemos ser, mais livres nos tornaremos.

Por isso, a prudência é uma virtude cardeal de suma importância. Ela nos permite discernir o certo e o errado em cada circunstância da vida. Diante dessa clareza, munidos do livre arbítrio, podemos escolher aquilo que nos faz livres. É uma experiência diária, como a do pássaro na porta da gaiola. A cada momento, podemos escolher entre aquilo que nos aprisiona ou aquilo que nos liberta. A grande sabedoria humana reside em saber quem se é, para que, consciente de sua natureza, possa-se agir de acordo e, assim, alcançar o céu da Liberdade.

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